terça-feira, 27 de julho de 2010

.rosa-dos-ventos.

Um dia desses eu quis ir pelo sentimento, mas o racional me fez ficar,
não imóvel, mas quieta.
Foi naquele dia em que nem os olhares se cruzaram por inteiro, onde eu era a observadora,
que nem notada talvez tenha sido, como uma fotógrafa de uma pintura urbana.

E naquela noite eu percebi que a quietude me fez ficar onde eu pensei em estar. Assegurei-me que segurar-me em minhas próprias sentenças, apesar de não ser cem por cento confortável é suficientemente seguro.

Eu não estou nem ai para o excesso,
quando se tem muito, sobra e quando sobra pode haver desperdício.
Com o desperdício pode se ter a reciclagem,
mas ela não livra o excesso.
Que mesmo tendo sido transformado,
um dia foi excesso.
(Eu não disse inútil.)

Eu já to um pouco cansada de não ter um outro lado que me indique algo.
Estou sem rosa-dos-ventos.
Só tenho a rosa negra nos cabelos
e o vento no rosto.
E sinceramente está tudo bem.
As coisas estão meio sem rumo,
mas se dirigindo para algum lugar.
E sinceramente está tudo bem.
Estar cansada, não significa exaustão
ou nem mesmo um estado de incômodo.
Quando se esta cansada se descansa.

Eu tenho recordado de momentos.
Me vejo no ontem e reparo melhor nas minhas atitudes.
E apesar de não escutar minhas palavras e
apesar de nem sempre saber o porque de minhas atitudes,
eu me vejo no hoje como consequência delas.
E talvez por isso eu as reverencio, porque apesar de nem sempre estarem certas eu estou aqui, aprendendo a aprender com elas.

Eu tenho me recordado de momentos.
E eu não me sinto nostálgica por isso.
Eu apenas tenho usado minha memória, como mais uma artimanha da minha condição humana.
Eu tenho usado a mente e o coração em certos momentos.
E eu não tenho me sentido frágil por isso, eles fazem parte de mim.

Meu coração tem descansado em paz
(Não como em uma lápide).

E eu tenho sentido falta,
mas não tenho estado com tantas saudades
e isso não faz de mim insensível.

Eu apenas tenho estado tranquila comigo
Depois de 'um dia desses' algumas coisas me pareceram mais claras.
E eu me sinto mais lúcida.
E eu sinto.
E eu penso.
E eu acho.
Com dúvidas e ensaios de certezas .

E eu só posso falar de mim.
E no momento falo comigo.
Talvez você se idendifique com algo aqui
ou talvez ache subjetivo demais,
eu digo que sem rosa-dos-ventos
eu me guio com uma bússula e sem ela ainda sei que existe o Cruzeiro do Sul,
e ele está lá...
Mas eu nem estou em alto mar,
estou só vendo o pôr do sol
e às vezes o confundindo com a aurora.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

.traduzindo.

Está tudo como se nada fosse
e nada me parece abalar.
O silêncio não é apenas ocultação.
Pode ser exposição
Eu preferi me calar a sua presença que me pareceu estúpida .
E sorrir um sorriso que me concretizou estúpida.

Perante qualquer palavra, eu prefiri me silenciar estupidamente.
E creio ser essa a palavra que faltava.


Hoje eu pensei em silêncio.
Com a certeza de não dever satisfações sobre pensamentos meus e inviáveis.
Hoje que hoje foi,
que foi hoje indo para amanhã


A questão talvez seja o ter falado com sinceridade palavras sem aspas.
Mas quem cala nem sempre consente.
E quem fala nem sempre sente.
E vice-versa.
E vire o verso e vide a bula escrita com linguagem médica...
Ou em grego ou em algum idioma qualquer.
Que daqui ha algum tempo será esquecido.
Ou será como o pensamento, intradutível.

terça-feira, 13 de julho de 2010

.intervalo ou pausa para um café.

Minha respiração esta descompassada,
Não que eu esteja ofegante.
Está descompassada porque criei uma coreografia.
Se não houvesse criado ela poderia estar no ritmo certo.
Não que esteja no errado.
Não que não esteja

Mas eu respiro,
Isso é o que me interessa.
É como em um show bater palmas diferentemente do bater de palmas da maioria
(Alguns vão reparar e outros não)
E talvez nem você perceba a sua falta de sincronia,
E talvez perceba e respeite o seu tempo.
Porque ao menos você depositou ali nas palmas batidas: você e sua verdadeira escala.
Não tenho me importanto mais tanto.

E nesses últimos dias,
Que não me parecem últimos,
(Só me parecem estar desaparecendo)
E nesses últimos dias,
Que me parecem mais íntimos,
(Mas me parecem ultimamente intimidar)
Nesse dias que são dias e noites, as madrugadas tem tido um intervalo maior.

Quando a gente se acostuma as coisas viram meio que habituais,
Não digo que ficam sem graça.
Mas a gente já não se pega mais pensando sobre,
Sobre aquilo que, apesar de hábito, nem sabemos o que é.
(Só comprovamos que existe)
Já provamos que não sabemos o que existe,
Já desistimos de querer saber,
Ainda não cansamos de saborear.

Sem miragens tendemos a enxergar melhor,
Porque enxergamos o que está em nossa frente,
E não oque talvez desejamos que esteja,
Sem focar tendemos a enxergar melhor,
Porque enxergamos o completo,
E não apenas oque intencionamos ao focar.


Ter razão.
Terra a vista, gritaram antes.
Maravilha.
Mar a vista, eu digo hoje.


Mesmo a respiração estando descompassada pode estar harmônica.

terça-feira, 6 de julho de 2010

.com um brilho especial.

Palavras ditas mais diretas são palavras ditas mais diretas,
enfeitar é enfeitar,
mas nem por isso é dissimular,
não é hipocrisia, não é a atuação sobre sentimentos e crenças que
não se possui,
não é cinismo, não é a indiferença...
(apática, empática, antipática, simpática)  ao o que outro passa,
é enfeitar, pra dar um tom mais leve,
mas nem por isso menos verdadeiro.
Quando falamos que não deu certo,
parece que falamos que foi em vão,
mas não,
não falamos que não deu certo,
falamos que deu certo até não dar mais.
.
Madrugadas a fio, sem frio,
abrindo o portão como quem abre um sorisso.
Sorrindo por poder sorrir.
Ouvindo por poder ouvir,
e passando pela cidade como quem passa
por algo que nem tem mais tanta graça,
como quem passa sem querer parar,
(como o que é passageiro)
e parando nos sinais como quem não tem pressa
de chegar onde se deve.
Se guiando como quem dirige,
observando com quem é guiado,
(como quem é passageiro
de primeira, segunda ou terceira classe).
.
Eu já ouvi coisas demais,
sobre coisas demais.
Já falei coisas demais sobre coisas de menos,
mas agora eu só preciso de silêncio,
um copo de água fresca e um sorriso
um pouco tímido.
.
Mas agora,
agora é outra hora,
eu só preciso de silêncio e um
copo de água fresca,
que é o que posso me dar.
.
No caminho de volta,
eu acho que pensei demais,
e nem me lembro onde fui,
mas eu entendo o porque,
está quase tudo muito tranquilo,
são etapas,
a gente aprende pra caramba,
eu gosto de me ter por perto.
(Isso me agrada)
Com a mente leve
e o coração batendo.
.
E hoje eu abro aspas:
"Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás".