quarta-feira, 25 de agosto de 2010

.sentido, contido.

A extremidade, que impõe distância a pólos que fundidos
seriam um só, mas não são.
O pensar como ferramenta de conexão conosco.
De maneira eliminatória e lógica, decidindo o que ficará, não em nossas lembranças, mas em nosso foco.
Aceitando aquilo que fortalece, apesar de aparentemente desmoronar.
Agir em acordo com o que se pensa, pode parecer falta de acordo com o que se deseja.

O sentir como vislumbrar o deleite de se deixar levar, de não fazer esforço para seguir, de seguir se esforçando por sentir que vale a pena seguir.
Caminhar pela estrada focando em sua estética, assim não visualizando os perigos ocultados por ela.

O pensar e o sentir como irmãos separados no dia do nascimento.
Confundidos na rua, chamados por outros nomes.
Às vezes sorrindo para um estranho como que para um velho amigo,
às vezes acenando a distância, por vezes fingindo não ouvir...
ou escutando e não dando tanta atenção, afinal não
estão sendo solicitados com seus habituais tratamentos.

O pensar e o sentir se encontrando...
como se olhassem através de um vidro,
mas não diante de um espelho.
Como se só eles conseguissem perceber suas peculiaridades.
Discutindo, dialogando, persuadindo ... e chegando em um ponto em comum, são diferentes.

Mas existem coisas além de sentir e de pensar,
não se esqueça do respirar que tenho certeza que também é viver...
Eu adoro respirar, por vezes nem percebo que respiro,
mas quando penso sobre, sinto uma grande satisfação.
E mesmo quando não penso sobre, sobrevivo. Somente por isso. Respiro.

(Vejo a sua imagem e sinto a importância de sua figura,
respiro e sinto o cheiro de sua presença,
pego em sua forma e sinto que parece verdadeiramente sólido, mesmo sendo um liquído que apenas esta supercongelado,
ouço com atenção o barulho de seus passos, mesmo não desvendando a direção que vais.
Assim eu sinto teu sabor.)

Uma máquina é programada para soltar refrigerantes após
uma moeda de 1 real ser colocada no lugar certo.
Um ser humano não é programado, ele pode ter vontade ou até sede do refrigerante
passar pela máquina e não ter o 1 real,
ter o 1 real e preferir poupá-lo,
desviar da máquina e decidir nem vê-la,
passar pela máquina e nem enxerga-la
ou até preferir comprar o refrigerante no tio da cantina que
poderá ter uma história pra contar,
talvez quem sabe a sede passe, a vontade finde.
As possibilidades são muitas...
justamente por não sermos  (pré-) programados...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

.curta-metragem.


Não quero mais falar sobre isso, não quero e falo como se eu já não me governasse, ou me surpreendo como se algum dia já tivesse me governado. Eu tenho leis e limites e tento seguir o que me proponho.
Talvez desgorvenada, mas tentando não ser desleal.
Sinto que devo me calar, mas já não confio muito em meus sentidos.
Penso que o processo não está sendo processado como deveria, mas aprendi a pensar duas vezes.
Realmente estou em um estado em que estar não significa presença.
Eu não quero mais querer dessa maneira um tanto quanto desmedida.
O fato é que a receita pode ser a mesma, mas o bolo sai diferente.

Dependente do Tempo.
Ele passa e permanece independente de nossas rotulações.
Ele não se importa com elas, nós que nos dedicamos a desvendá-las,
nós que nos empenhamos em explicá-las,
não conseguimos entender nem o que criamos,
quem dirá o que é Criador.
E não estou dando um sentido místico ao que falo,
é tudo muito pessoal, pessoa.

Não falo de anjos, bruxas, demônios...
falo de seres humanos, que às vezes me parecem isso tudo misturado
em um bolo sem receita, há quem diga em um caldeirão de temperos exóticos.

Estou sendo subjetiva com meus próprios objetivos,
não posso me enganar, não seria leal comigo mesma,
eu que em tantos momentos sou minha única companheira,
eu que na vida que vivo me aturo sabendo que meu estado de humor é passageiro,
sabendo que não sou só o que transpareço.
Não vou me enganar, nem que para isso tenha que mudar o que não quero ver,
eu sou criatura e criadora.
Crio a visão do Mundo em que vivo, o
ponto de vista é meu,
o anglo pode me ser posto,
mas os olhos estão em minha face.

Expor é distinto de impor.

Viandante, que anda entre vias de movimento intenso,
que se recolhe no acostamento para pegar fôlego, que
observa o tráfego e participa dele.
Eu caminho comigo.

(Teimo em ser sincera como se fosse colher frutos doces por isso,
mas se amargos forem... enfim... se amargos forem, serão. )

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

.só mais uma pauta ou combinação de silêncio e som. para ele.


Você e eu, a gente.
Como pássaros em migração.

Eu e você, nós.
Como imigrantes clandestinos.

A gente é,
uma partitura com claves e escalas variadas.

Nós somos,
quando estamos em harmonia.

Você,
como algumas notas não cifradas.

Eu,
como melodia em composição.

A gente,
como canção não radiografada.

Nós,
como música sem refrão.


(E tem sido um sucesso não popular.)

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

.uma pitada de surto, nostalgia e reação.

Somos muitos elementos formando um só.
E temos muitos dentro de nós e temos nós e temos muitos.


-E disse:

Quando cores se misturam dando a impressão de uma única cor,
uma aquarela se resume em tinta.
Quando se pensa estar só é porquê já se levou alguém do lado,
é quando já se teve a sensação de estar acompanhada.
Quando se veste de outros é porquê estar vestida de si mesmo parece deixar-me nua.
Quando um círculo não se fechou ele não é um círculo.
Quando se dança sem música, se dança para o silêncio.
Parecendo insensatez ou parecendo reverência ao som oculto.

Quando uma estátua parece se movimentar...
é quando se pode comparar movimento e inércia.
e
é quando se percebe algo comum nos extremos
(quem sabe o fato de serem extremos)
e
quando se pode comparar, pode-se também diferenciar...

afinal comparar é fazer o paralelo...
É
diferenciando que se escolhe e
é
escolhendo que se vive.


-E digo:

Linhas paralelas estão lado a lado,
não são a mesma,
e cada uma tem dois sentidos,
e cada uma é uma nos dois sentidos que conto e
nos outros todos que desconheço,
e o nada, não sei o que é.

E se falo que sei que nada sei,
falo que nada sei
e não admito que não sei de nada (hoje demito os mitos que criei),
e nem sei o que é o quê.

E nado,
mas sem tanto medo de me afogar,
já que aprendi a boiar para melhor parecer
e
para relaxar com os ouvidos em baixo d'água.
E fingindo flutuar, sem pensar em leis da física nada ouço.


-E repito:

Perdi a noção das palavras,
mas não perdi palavras nocivas ,
porque não quero as encontrar,
então as guardo, mas não as busco.

Perdi a noção dos sentidos, mas sem deixar de respirar.

Hoje foi um dia.
Um dia e só um dia.
Desses dias que a gente sabe que tem 24 horas.
Desses dias que tem manhã e noite e pessoas dirigindo.
Um dia a mais.

Menos um dia pela frente
é
Mais um que ficou pra trás.


-E recordei:

Saudade é coisa nossa.
Do carioca, pernambucano e todo o resto...
E o resto todo.

Ou saudadí ou saudadî.
O sotaque não limita.
O idioma não revela.
É
o sentimento que domina.


Vi sua foto e tive sorte de ter perdido a noção e não os sentidos por completo,
porque assim pude ver.


-E conclui:

É bom recordar, é bom admitir a recordação.
Mas é bom também deixá-la ir,
para onde ela deve ir.
Eu devo ficar...
porque eu continuo no Tempo
e o tempo que recordamos já passou.


-E chorei:

Antes de ver, de ouvir, de dizer...
E me senti mais humana.
Porque não sabia o que continha nas lágrimas,
mas não as contive,
porque me pareceria irracional não chorar.
Eu não sei o que continham as lágrimas,
mas sabia que elas
não deviam ficar contidas em mim.



-E sorri:

Mas é claro que sorri,
ou porque não usei quatro anos de aparelho à toa,
ou porque eu me acho mais intressante assim,
ou porque seria falsidade não sorrir.

Me pareceria blasfêmia não sorrir.
Me pareceria irracional poder sorrir e não o fazer,
me pareceria irracional e insensível.
E eu tem razão e sentimento no meu sorriso.


-E ouvi:

Algo como 'quanto mais espero, menos tenho que esperar'
Eu ouvi um dia desses
e talvez me recorde amanhã dessas palavras.

Mas também pensei,
que se a gente não espera,
não importa a hora que vem.
Porque para quem não espera, não existe o atraso e nem mesmo o atrasado.

Mas a esperança não espera por nós,
Ela apenas contém a magia de acreditar.

sábado, 7 de agosto de 2010

.riso ou mudança de consoantes - navegando sob o céu ou voando sobre o mar.

E pode ser ponte ou muro,
barrar ou dar acesso.
Eu não consigo captar intenções.
Talvez me perca na minha (im)própria.
Um sorriso ou um piscar de olhos ?
E em um piscar de olhos eu posso perder a visão de um sorriso.
E pensar que ele não aconteceu,
ou não pensar nele,
apenas por eu não ter o visto.

Um risco entre a palavra pode ser eliminação.
Um risco em baixo pode ser enfatização.
Um risco sem 'c' fala mais do que palavras mudas.
Um riso quase invertido pode encantar mais do que múltiplas cantigas.


Eu traço objetivos e quando percebo as traças os traçaram (quem sabe antes de mim).
Eu passo um traço, mas não risco.
Às vezes arrisco e não petisco,
e às vezes petisco e não sacio minha fome.
Mas como às vezes não é sempre,
mas como às vezes não é nunca,
às vezes esta de bom tamanho.
Às vezes talvez seja meu tempo predileto. Mas por vezes não me acompanha.
Como naquela tal vez que talvez tenha sido a melhor.


Por falar em qualidade a idade não a mede,
seu termômetro é outro.
Em falar por quantidade,
a balança esta fechada para balanço.
E quanto pesa uma balança? Mais do que seu próprio peso, penso eu.
O que balança uma balança? Mais vento do que ela pode pesar, eu penso.


Eu peso.
Eu peço.
Eu penso.
Eu peco.

Eu peço falando, eu penso falando, eu peco falando e talvez não pese o que falo.
E não pesando... se é leve ou não, não sei, se você releva ou não, não sei.
O que?
O 'quê' do queijo pode sair e virar beijo.