quinta-feira, 28 de abril de 2011

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As palavras apenas saem sem fazer questão de fazerem sentido, sem serem maquinadas, saem como se apenas estivessem prontas para sair, sem muitos enfeites, sem maquiagem. Eu não as busco. As palavras que devem ser pontuadas e acentuadas para serem entendidas por interpretes apenas seguem...essas palavras que não cabem a ninguém, nem a mim que as escrevo, que tanto não me cabem que hoje já não são mais minhas... eu as entrego, a quem? eu não sei.
O que é dito, não pode ser 'desdito' e o que não é dito jamais poderá ser ignorado, por que o silêncio tem lá seu espaço, seu tempo e sua importância em ambos! Dizem que para se falar deve-se saber o que falar e para se calar? O que é necessário para se calar? O mesmo, dentro de outro contexto? Para se calar é necessário saber o que calar? Ou quando calar? Eu tenho dúvidas! Agora falo de mim, ou pelo menos do que aqui represento. Será eu a escrever o que eu penso ou será eu a pensar no que escrevo? Está tudo rápido demais, complicado pegar o bonde nessa velocidade... penso ser eu a escrever, mas só de pensar nisso já penso...!
Ouvir é característica de quem têm ouvidos, de quem os usa quando algo emite algum sonido. Escutar é tarefa de quem ultiliza os ouvidos e um 'canal' que leva os sons à mente. Quem fala mente. E quem ouve mente? Alguns que ouvem falam. Quem escuta absorve, quem absorve pode tirar suas conclusões e quem conclui nem sempre acerta, mas nem por isso sempre mente.
Por que quem tem boca vai a Roma, mas quem tem boca só pergunta, quem tem ouvido escuta as respostas. Quem tem boca e ouvido vai  a Roma, por assim dizer, mas quem tem o sentido da audição como aliado pode ainda contar o caminho que leva a Roma, podendo se fazer a boca também necessária para passar a informação... ou se pode escrever o que se escutou e assim quem sabe aproveitar e compartilhar o que de mais inovador ou maravilhoso viu pelo caminho... há quem relate sobre o que de mais tenebroso esbarrou. Se fazendo necessário estar atento aos sentidos. 
Me perdi no caminho, não de Roma, que não conheço! Me perdi no caminho que me lancei, caminho esse das palavras jogadas sem interesses objetivados, caminho que hoje conheço um pouco mais. A verdade é que a verdade já não é tão atrativa, por que se é verdade é imortal e mesmo sendo imortal não pode ser minha para sempre, por que o sempre não é de minha posse, eu possuo apenas o que eu dei, como vida, 20 anos, como amor, todo o que eu tenho.
Agora escrevo sobre sentir e não apenas sensoriar, me igualo àqueles que fingem que sabem o que são e o que vivem, assim achando que são o que sentem, que acreditam ter a fórmula para ser feliz, ou confundem isso com a aceitação da vida como ela é, ou vivem isso como eles são realmente, ou aceitam a felicidade como fórmula, ou se julgam como eu me julgo, ou me julgam como eu os julgo. E se eu jogasse pra cima o que for de ser jogado? Por que a lei gravitacional devolve o que no ar não pode pairar, mesmo com ajuda de motores e/ou intervenção humana o que é de ser não pode não ser, apenas é e assim que as coisas são.  Sinto e sinto muito se o meu sentir é algo muito. Sinto por que raciocino e raciocinando percebo que sentir é algo inevitável. Sentir o outro é algo interessante, sentir que o outro é outro e mesmo assim saber com a sabedoria de um sábio que você é o outro também, saber com a sua ignorância que o outro é você. Perceber que é complemento... a gente é o que é e sendo assim somos o que nós somos, somos eu e você e você e mais outros de nós. Mas o mar e amar me fazem acreditar que a tonalidade dos tons de azul se modificam talvez por consequência do céu. O que em mim é submerso é aquilo que cultivo de belo e que sob as águas das minhas certezas esta encoberto em profundezas que você consegue alcançar.
Eu me certifico de que tudo que eu vivo me é preciso, tudo que eu sinto me é necessário... tudo que me é dado é tão seu, é mútuo. Um poeta vale mais do que seus poemas, mas por seus poemas costumam dar-lhe seu valor... me dá a impressão de não levarem em consideração os rascunhos que pelo mesmo foi escrito e tem seu mérito para o poema e para o poeta. Um poema também pode ser composto de esboços, que podem ter feito parte da arte hoje apreciada, linhas aniquiladas pelo poeta, mas fundamentais para o poema, aniquiladas pelo poeta, mas jamais ignoradas por nenhum dos dois, de certa forma se encontram ainda no poema, talvez não de forma clara, clássica ou concreta, mas mesmo de forma decisiva. Com essa observação sobre rascunhos e esboços não desejo pôr o poeta apenas como alguém que corrige o que já não parece fazer sentido (ou rima), nem como alguém que se arrepende e tendo a chance de concertar, o faz, talvez apenas como alguém que da sentido a algo, ou um novo sentido a uma coisa que se transforma em outra sem deixar de ser o que é, um poema. Isso me parece estranho, mesmo não me parecendo alheio. Mas este não será um poema, já não sendo e nem será um texto revistado, nem se quer será um texto revisado, apenas será o que esta sendo, já que o que está sendo está seguindo a linha do que me é cabível ser neste momento, sou eu quem escrevo, como pensei antes.