quarta-feira, 24 de abril de 2013

.rêve - ou - varrer.


O que é o sonho? Não se sabe explicar.
Cientistas, neurologistas... e tantos outros 'istas'  se empenham em busca de certezas diante dos sonhos. Eu mesma, que não sou nada de 'ista' (a não ser detalhista) percebo que o sonho  não é uma certeza. O levo mais para o âmbito do fantasiar e até...

realizar.

Quantos filósofos pensaram a respeito?
Sonhamos constantemente ao invés de estarmos realmente acordados?
Sonhamos que somos nós ou  somos nós ao sonhar?

Sonhar não deixa de ser um ato sincero, pois é um momento em que não temos bem certo quais os limites morais que nos são impostos, quais as regras de convívio social que nos são apresentadas para serem cumpridas. Então às vezes acordamos e dizemos que sonhamos coisas absurdas.
Até mesmo as  leis físicas que nos impossibilitam de praticar algumas ações são esquecidas, ou apenas não levadas em consideração.  Anuladas.

Dançamos no fogo sem nos queimarmos, pulamos de um abismo e criamos asas, levitamos só para ver o pôr-do-Sol mais de perto, somos reis e rainhas de nós mesmos.

Sobrevivemos por um instante.


Rêve = sonho em francês. E muitas vezes ao sonhar podemos rever cenas já vividas, pessoas já conhecidas...  Supostamente esquecidas. E foi em um desses sonhos que eu me vi. Me reconheci.

Sonhos são mesmo mágicos e enigmáticos. Místicos. Por vezes  nos revelam.

Místicos,  porque também são divinos.
Fechar os olhos e mesmo assim enxergar é como um milagre.
Ficar imóvel e mesmo assim poder correr. Poder  voar é um milagre.

Os sonhos não são secretos, pois  nos aparecem.
Se mostram, se decodificam, se manifestam...
Não se ocultam, mas nem por isso se revelam por inteiro.

Psicólogos os usam como ferramenta para detectar certos desejos reprimidos no dia-a-dia.

Quem sabe tenha algum sentido?!
Eu mesmo já reprimi minha vontade de voar.

Por vezes sonhamos com o que desejamos, por vezes com o que tememos.
A verdade é que mente e corpo são "aparelhos" distintos, cada qual na sua função. Cada qual pulsando por uma finalidade.
Porém os dois nos dando a possibilidade de vivermos, nessa forma de vida que conhecemos.
A mente não descansa com um simples fechar de olhos, já o corpo entra em repouso quando se cansa e encontra um lugar que aconchegue seu estado, afim de recuperar-se.
Enquanto a  mente geralmente só repousa em um contexto de ascética, relacionado à concentração em manter a contemplação mental voltada para o silêncio. Silêncio de si.

Sonhar talvez não seja algo para se questionar, apenas para se deliciar.
Sonhar com o mar, com amar.
Há mar além do que se imagina. Amar além do que se possa imaginar.
Sonhar com olhos e até com o silêncio.

Falando em sonho pude rever alguns passando em minha memória...
E em um deles nenhuma palavra foi pronunciada, nenhum som exalado.
E mesmo assim ele me pareceu uma música.

O sonho poder ser a expressão do mágico, do surreal, ou quem sabe a livre imaginação perambulando.
Vai ver sonhar é uma arte!

(O sonhador um artista.)

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