quinta-feira, 29 de agosto de 2013

.adaptAção.

Um rei caminhava em seu reino, vibrava vendo suas terras e posses. E o povo que o aclamava. Se enchia de orgulho e vaidade se crendo possuidor de tudo aquilo. Vivia no mais luxuoso lugar, dando migalhas aos seus serviçais. Os tratando de forma mesquinha e rude. Não respeitava a natureza e as pessoas, não formou família para não ter a possibilidade de perder seu trono para um possível filho traidor e também se achava bom demais para se relacionar com as mulheres do seu reinado, que para ele não eram boas o suficiente para seu padrão ambicioso. Então um dia, se deparou com um rei mais cruel do que ele, que invadiu o  reino que considerava seu e lhe tomou posses e preces. Desesperado, passou a caminhar sem direção, até chegar em um mosteiro habitado por alguns monges anciões e seus discípulos. Desolado, ficou ali e pediu conselho para um dos monges, que apenas lhe disse: ISSO PASSARÁ!
Um silêncio o invadiu e por muito tempo refletiu sobre sua vida e todos os sentimentos de orgulho, ganância, vaidade que um dia lhe moveram... pouco se lembrava de ter sido feliz de "verdade", sem para isso precisar passar por cima de alguém. E todas essas reflexões foram o deixando mais triste, exceto quando lembrava das palavras convictas do sábio ancião. Ali, no Mosteiro, aprendeu a conviver de forma simples e forte, percebia que ajudar já não lhe era sinal de sofrimento ou fraqueza. Era fonte de virtude. Certo dia acordou tão cedo quanto o Sol e decidiu que já era hora de ir, a estrada lhe chamava. Caminhou, dormiu, sonhou. Caminhou, acordou, chegou. Era uma cidade singela, com uma praça alegre e foi ali que ele resolveu se aconchegar. Lá conheceu pessoas especiais. Também via a ambição nos olhos de um comerciante para o qual trabalhou e às vezes se reconhecia nele, mas já não se prendia às suas referências passadas. Era um novo homem. Conheceu uma mulher simples, enfrentou dificuldades, formou uma família. Mas sempre que achava que tudo aquilo estava sob poder, lembrava das únicas palavras que ouviu da boca do seu amigo ancião: ISSO PASSARÁ! Compreendeu que não eram apenas os momentos ruins que eram efêmeros, compreendeu que os bons momentos também eram. E que os momentos vividos de maneira saudável e leve ficavam guardados de forma a cravar amor no coração. Neste momento, ali em sua casa humilde com aquelas pessoas comuns, mas especiais para ele, foi quando ele verdadeiramente se tornou Rei.